CRUZ
DAS ALMAS/BA - 20/05/2010
13h51 REDAÇÃO
REVISTA
DO
ÔNIBUS
Cuidado é bom quando o
assunto é fogos de artifício
FOTO: EDGAR DE SOUZA - DIVULGAÇÃO Em meio a uma celebração junina em Cruz
das Almas, um adolescente de 16 anos caminhava com os
amigos aparentemente longe de qualquer perigo quando
foi atingido por uma espada que veio do alto, oriunda
de outra rua. Além de fraturas nos ossos da face e perda
de vários dentes, o jovem teve um olho perfurado e,
apesar de ter sido submetido a algumas cirurgias nos
olhos e na face, permaneceu não apenas com deformidades,
como também com baixa permanente da visão esquerda.
O caso deste paciente, atendido pelo médico oftalmologista
Marcelo Rêgo no Bahia Olhos – Centro de Oftalmologia
do Hospital Aeroporto, pode servir de alerta para a
necessidade do cuidado com a saúde ocular em meio aos
perigos – fogos de artifício, brasas de fogueira, etc
– tão comuns nessa época do ano.
“Para celebrar o São João ou os gols do Brasil na Copa,
é melhor evitar a manipulação de objetos explosivos,
como rojões e bombas. As pessoas também não devem soprar
fogueiras, pois os fragmentos de brasa podem atingir
os olhos”, declara Marcelo Rêgo, aconselhando a população
a evitar ambientes com muita fumaça.
Muitos não imaginam, mas os casos de comprometimento
da visão aumentam bastante durante os festejos juninos.
No ano passado, um paciente de 34 anos atendido no Bahia
Olhos, sofreu laceração ocular extensa ao soltar um
foguete com a mão para o alto. “O que aconteceu foi
que o foguete explodiu e estourou para baixo”, conta
o oftalmologista. Para tratar o problema, o médico fez
uma sutura para o fechamento do olho, mas não houve
como evitar a lesão corneana grave, além de catarata,
baixa da pressão ocular e evolução do quadro para atrofia
ocular, com cegueira irreversível.
Segundo Marcelo Rêgo, um problema muito frequente é
o contato dos olhos com fragmentos (corpos estranhos)
provenientes da queima de fogueiras, provocando sensação
de areia e lacrimejamento. Além do incômodo, tais fragmentos
podem lesar a córnea, a parede ocular ou, ainda, aderir
à parte interna das pálpebras. Outra causa frequente
de irritação ocular é o contato com a própria fumaça
dos fogos, que pode resultar em conjuntivite e seus
sintomas: ardência, vermelhidão e fotofobia.
“Problemas mais graves que podem resultar em perda da
visão são as explosões próximas aos olhos, sobretudo
em pessoas que insistem em soltar foguetes segurando-os
com as mãos ou soltar bombas. Esses acidentes podem
causar desde queimaduras nas pálpebras até lesões extensas
na superfície ocular e destruição do globo ocular”,
alerta o especialista.
Óculos e lentes de contato - O uso de óculos comuns
não protege das lesões que podem ser provocadas pelos
fogos juninos. Em caso de explosão próxima aos olhos,
os fragmentos das lentes podem, na verdade, contribuir
para agravar as lesões. O mesmo vale para as lentes
de contato, que costumam agravar os sintomas em caso
de irritação ou corpo estranho. “As principais medidas
a serem tomadas por usuários de lentes são retirá-las
assim que perceberem qualquer desconforto nos olhos,
como vermelhidão, sensação de areia ou mesmo visão embaçada
e procurar imediatamente um oftalmologista”, aconselha
Marcelo Rêgo.
As queimaduras, mesmo que leves, atingem a córnea e
podem causar a diminuição da sua transparência e comprometer
seriamente a visão. Casos mais graves, com opacidade
total da córnea, causam cegueira e podem também exigir
transplante da córnea para o restabelecimento da visão.
Quando o dano ocorre nas pálpebras, pode haver deformidades
graves, com retração, perda de tecido e conseqüente
comprometimento da superfície ocular, principalmente
devido a ressecamento. Vários casos são tratados por
cirurgia oculoplástica.
Cuidados especiais - No caso de contato de pólvora com
os olhos, a orientação é lavar abundantemente com soro
fisiológico, preferencialmente, ou na falta deste, com
água corrente. Se os olhos forem atingidos por explosões
de bombas, o melhor a fazer é ocluir o olho com gaze
e procurar um serviço de emergência oftalmológica, para
que seja avaliada a extensão das lesões e iniciado o
tratamento imediato, que pode exigir cirurgias, retirada
de fragmentos ou tecidos necróticos, além de serem prescritas
as medicações adequadas. O uso de colírios por conta
própria não é recomendável. “Pode piorar o quadro”,
conclui o diretor do Bahia Olhos.
Com informações do i Bahia
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